WALNEI ARENQUE - em pensamentos imediatos


DESPREZO, uma reflexão

por - Walnei Arenque

Segundo o dicionário Aurélio:

Desprezo: ato de desprezar alguém, falta de apreço, desdenhar, não levar em conta.

Acho que vai te tocar mais quando levantar-mos alguns sinônimos: sentimento de rejeição, sentimento de ser depreciado, sentimento de ser desconsiderado, sentimento de ser menosprezado, um desconsideração, e por aí vai uma vez, que se torna tão singular esta sensação quando por nos sentidas não é mesmo? Você deve saber como se sente quando presprezado e poderia com certeza me ajudar a colocar mais palavras, isto é, se você conseguir nomear, porque as vezes a dor é tanta que não conseguimos sequer por um nome num sentimento. As vezes ate colocamos, mas parece não expressar exatamente a sensação de se sentir desprezado.

Existe varias atenuantes que nos fazem sentir desprezados, queria eu continuar mas de repente percebo circulando pela casa, um tanto curiosa,

minha companheira de arrumação de casa LIA, como minha avó a chamava.

 sim ela é minha companheira neste momento, pois a cada toque que dou no teclado ela quer saber sobre o que estou escrevendo, e quando digo o assunto, Lia de repente começa a colocar seus sentimentos para fora, peço que vá devagar, pois vou escrever o que ela fala: “as vezes as pessoas se sentem desprezadas por aqueles que mais cuidamos e, quando me sinto desprezada, choro amargurada e choro muito, fico muito triste que as vezes me encontro ate mesmo conversando com minha cachorrinha de estimação. Sinto um vazio porque a pessoa não tem 5 minutos para me dar atenção, o desprezo dói, dói mesmo, muito. Espero cada dia por estes cinco minutos e, a espera é em vão, não vem”.

Lia se empolga e acaba falando também de seus sentimentos por outras pessoas que a desprezaram na vida. Ela conta que num relacionamento em que ela se doou muito foi tremendamente desprezada, e eu vou escrevendo, não desprezando sua vontade de falar, ser ouvida e ser um exemplo vivo de pessoa desprezada: “Eu me sentia assim, cada vez que a pessoa ia na minha casa ou me encontrava eu me sentia a ultima das pessoas porque era só humilhação por mais que nos erramos jamais deveríamos ser humilhadas e rejeitadas. Até que depois de muito choro resolvi dar um basta e seguir meu caminho, a saudade ainda dói, porque um grande amor nunca se esquece nem a humilhação nem o desprezo que passei”, ela diz ainda: “tá bom, tá bom, senão não consigo terminar meu serviço, pois vou chorar.” Lia na sua simplicidade de Humana volta para seus afazeres cantando, meio que tentando disfarçar sua dor.

Porque será que desprezamos? Um dia, sempre há um dia, seremos ou fomos desprezados, sentimos na pele esta sensação de dor e, porque insistimos em repassar para o outro o que um dia nos machucou tanto?

Hoje fala-se muito em espírito de solidariedade, de caridade, falamos muito em Deus, estudamos seus ensinamentos, porem vemos as pessoas cada vez mais insensíveis, desprendidas dos que algum dia lhe doou sua escuta, seu olhar, seu carinho. Será que não poderíamos reverter situações em que nos mesmos fizemos isso? Não poderíamos também deixar de descartar as pessoas como se fossem copos plásticos ou resíduos infectantes?

O inverso do desprezo é consideração e respeito! Queremos isso, mas estamos dando Isso ao nosso próximo?

Na minha singuralidade, como disse acima, cada um tem uma sensação singular de expressar como se sente num momento de desprezo, sinto esta sensação da seguinte forma: È você perceber que esta morta, sim morta dentro de uma pessoa, estando você viva. È terrível você se ver morto em alguém estando vivo, presenciando sua própria morte. Não queremos a morte, principalmente quando estamos vivos e sentindo.

 

 

Walnei Arenque



Escrito por WALNEI ARENQUE às 18h48
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A DEPENDÊNCIA AFETIVA

por Walnei Arenque

Começando pelo começo... Eu por muitos anos de minha vida trabalhei e estudei a dependência química, foram muitos anos de convivência com esta doença, a dependência, e com isso muita aprendizagem. Sempre atenta a tudo, sempre fiquei muito intrigada com relação à DEPENDÊNCIA, isso porque fui percebendo que não verificava os sintomas apenas nos dependentes químicos ou sexuais, percebia os mesmos sintomas em situações de pessoas para pessoas. Você deve estar se perguntando como assim?  Vamos então a uma simulação:

Mariazinha se diz apaixonada por Joãozinho, diz que não consegue viver sem ele e que o fato dele não querer mais o relacionamento a deixa um tanto nervosa, ansiosa, angustiada. Passa o dia inteiro pensando em Joãozinho, em como ter o mínimo de atenção dele e passa a fazer de um tudo para ter um tico desta atenção.

Joãozinho por sua vez, já esta em outra situação,(isso nas melhores das hipóteses, pois ele pode usar dela para se sentir amado), como sempre recebe noticias dela, por ela mesma, resolve então uma vez a cada tempo (indefinido) responder.

Mariazinha sofre, mas sofre por demais, chora, fica inquieta, ansiosa, treme. Quando um dia Joãozinho aparece, mesmo que num mísero telefonema para falar “oi”, Mariazinha fica outra, alegre, desperta, saciada. O tempo passa e ela vai perdendo esta motivação na espera de um novo “aparecer” de Joãozinho que não aparece, daí que todo o sentimento de muita angústia, desespero, toma conta dela novamente... E por aí segue nova espera com puro sofrimento.

Aqui contei uma breve historinha, historinha essa que com outras nuances e particularidades muitas pessoas passam.

Entendemos que esta pessoa tem sintomas muito semelhantes a de dependentes químicos, que quando tem acesso as drogas, naquele exato momento ficam saciados para depois logo estarem sedentos novamente pela droga. Mariazinha fica igualmente sedenta e quando tem Joãozinho fica se sentindo saciada, mas logo depois tudo volta a ser de uma angustia imensa ate a próximo contato com Joãozinho, a droga dela.

A nossa personagem passará a condicionar seu comportamento sempre de modo a obter a aprovação daquele a quem ela formou este elo dependente. Ainda em casos mais graves, vemos Mariazinhas submetendo-se a humilhações, abusos, explorações e toda sorte de desrespeito, simplesmente para garantir que o ser amado (será amado mesmo?) não a abandone.

Quando uma pessoa se encontra nesta situação vamos percebendo que elas não passam pelo tempo da “síndrome de abstinência” ou quando estão exatamente nela, pelo sofrimento, angustia etc., elas recorrem a Joãozinho, e prometem que só aquele contato já será esclarecedor e “nunca mais falara ou seguira as sombras de Joãozinho”, vejam: “Nunca mais”, “esta foi a ultima vez”, sentenças bem conhecidas e discursadas na dependência química, “só um ultimo gole (contato)”, passando ai a uma ilusão de permanência. Com muito trabalho é que esse “nunca mais” será um “NUNCA MAIS”.

A compulsão em buscar o objeto de dependência, muitas vezes ou na maioria das vezes, é maior, é como se Mariazinha, ali acima, acredita-se que Joãozinho a iria preencher, e nunca mais ela precisaria dele... Ilusão de Mariazinha... O desconforto logo virá e, ela possivelmente não será capaz de segurar a obsessão, não segurara a síndrome de abstinência. Quando um dependente químico em tratamento tem suas recaídas, ele possivelmente recai na síndrome de abstinência, pois sintomas físicos, psiquicos são muito intensos e para ter sua doença em controle ele precisa passar pela síndrome de abstinência.

Mariazinha quando não tem nenhuma noticia de Joãozinho, fica sem sono, irritada, ansiosa, com sintomas depressivos, distúrbios alimentares onde ou come muito ou não come nada, desiludida da vida e por aí vai... Tal qual na dependência química.

Portanto Mariazinha, na verdade, não ama Joãozinho, mas, esta dependente do afeto, de Joãozinho... duro, mas acontece muito e, pode ter certeza dói e dói muito para ela como para qualquer tipo de dependência.

Quantas pessoas você conheceu que passam por isso? Quantas vezes você já falou paras as Mariazinhas da vida: ”esquece este cara”. Não é tão simples, pois Mariazinha esta doente e o que ela precisa mesmo são de tratamentos porque assim como o dependente químico, cujo organismo se desestrutura quando lhe é retirada a droga, o equilíbrio emocional do dependente afetivo entra em pane quando ele é afastado da pessoa de quem se tornou dependente.

Inicialmente Mariazinha não sabe que esta doente. Será com tratamento que ela poderá reconhecer que esta doente. Estas pessoas, dependem de afeto, possuem uma imaturidade emocional significativa, uma baixa tolerância ao sofrimento, à frustração, a mesma que está presente na vida dos dependentes químicos de modo geral.

  
Possivelmente a base desse transtorno está uma profunda carência afetiva, uma falta de nutrição emocional que se originou em sua história de vida, portanto aí é que entra a psicoterapia...


Mariazinha precisa aprender que quanto maior for nossa habilidade de vivermos bem sozinhos, mais preparados, organizados, arranjados estaremos para a convivência com o outro.

 

 

 



 



Escrito por WALNEI ARENQUE às 18h45
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